Há certo tempo...



Há certo tempo atrás eu escrevia em diários. Todos os dias antes de dormir eu pegava um caderno e uma caneta preta e rabiscava até doer a mão. Ninguém entendia porque eu sempre estava com a mãos sujas de tinta de caneta.

Eu escrevia diversas coisas. Tentei compor músicas, fazer poemas, pintar. Até que eu vi no espelho algo muito interessante para escrever. Escrever sobre o meu dia. Não daquelas formas de “Olá querido diário, hoje eu tomei sorvete com a Julia...”.

Na... Eu era sincera ao escrever. Eu falava de mim, do meu comportamento.

Hoje abri um e li o seguinte na 1ªfolha:

“Fiz prova de português no 2º período. Hmm excelente nota! Mas digamos que eu pouco me interesse nisso.

Acabei de limpar o violão e olho para ele vendo uma guitarra, ah eu queria uma Les Paul...

Meu cabelo está crescendo violentamente e eu não aguento mais esse cabelo loiro, queria pintar, mas... hummm ele realmente é bonito.

Meu pai perguntou o que eu faço quando a porta fica trancada, ele não gosta. A minha resposta foi tão besta quanto a sua pergunta – Nada-

-Nada, nada?-

-Nada pai, nadinha de nada. -

Menti. Eu realmente vivo aqui, eu passo horas decorando livros e escrevendo textos. Mas acho que a pergunta dele não era relacionada à escola mesmo. Então não menti.

Eu vejo as meninas saírem, falarem de seus namorados e eu nunca beijei na boca!

Não que eu não queira, homens me dão certo nojo, mas eu não gosto de mulher!

Os amigos que eu tenho são homens, mulheres são coisas burras, fúteis e indiferentes.

Minha irmãzinha adentrou o recinto e disse – Quer?- Era sobre um pacote de Cheetos. –Não, to sem fome.-

Na verdade eu não gosto de Cheetos Requeijão.

Ahhh to cansada... Vou dormir. Ta tocando Pink Floyd no som... Músicas com sintetizadores me fazem chorar... Troquei, um cd qualquer foi jogado na bandeja. Los Hermanos, uma seleção feita por um colega.

Boa noite pra mim e quem sabe amanhã não será um grande dia?!”

O que me deixa mais empressionada é que todos os dias eu fechava o texto com

“Quem sabe amanhã não será um grande dia?!”.

Bah que loucura, aos 14 anos eu já era boa na escrita. Já me criticava e já ouvia coisa boa!

Acho que a minha fé me fez perceber que eu sou muito mais legal hoje. E também percebi que todos os dias são especiais! De tanto pedir, todos os meus dias são GRANDES DIAS!

Obrigada pequena Laís, você me faz muito bem!

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